BOAS VINDAS

Eu tenho uma espécie de dever,de dever sonhar

de sonhar sempre,

pois sendo mais do que

um espectador de mim mesmo,

Eu tenho que ter o melhor espatáculo que posso.

Fernando Pessoa

"Educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos." Pitágoras

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Gestão Escolar-Sugestão de livros



Uma coleção completa e atualizada para quem se interessa em gestão...

Gestão Escolar

Políticas Públicas


Planejamento e financiamento

Edição 172
12/2004



Escola particular e pública têm a mesma meta: qualidade

Para o diretor de escola particular e especialista em legislação educacional, não há como trabalhar na rede privada sem levar em conta o avanço no ensino público do Brasil

Lucita Briza (Lucita Briza)





Foto: Masao Goto FilhoEducação e qualidade são teclas que batem juntas quando se trata das necessidades do Brasil. E a prioridade nesse campo é, sem dúvida, o Ensino Fundamental na escola pública, à qual a maioria dos brasileiros tem acesso. O ensino privado, no entanto, participa da discussão sobre medidas a tomar para que o sistema responda aos anseios dos estudantes.



Filho e neto de professores e gestores de escola, Arthur Fonseca Filho dirige em Sorocaba (SP) um centro que oferece desde o Ensino Fundamental até o universitário, incluindo um Instituto Superior de Ensino e Formação de Gestores. Há anos, ele vem colocando sua vivência na escola particular a serviço das políticas educacionais públicas. Na reformulação dessas políticas, a primeira meta foi um salto quantitativo: a universalização do ensino básico. "Somos pobres mas pretensiosos, pois o que chamamos de Educação Básica vai dos 3 meses aos 17 anos de idade", diz. Esse objetivo não está totalmente cumprido, mas nos estados mais ricos o salto vem sendo ensaiado.



A segunda meta é impulsionar um salto qualitativo, o que, segundo Fonseca Filho, é um processo mais complexo e demorado. Ele dá sugestões sobre como a escola particular, com suas características próprias, pode interagir com a escola pública visando avanços na educação brasileira.



Por que demora para termos um ensino básico de qualidade?

Não há perspectiva de um progresso radical no curto prazo, a ser comemorado com fogos de artifício. As últimas avaliações da educação nacional mostram uma curva ascendente, mas os resultados não aparecem na hora. Já temos uma legislação federal suficientemente aberta para permitir que os diversos sistemas estaduais e municipais desenvolvam suas propostas educacionais. Mas partimos de um momento em que boa parte dos estados tinha professores com formação de nível médio ou nem desse nível. É preciso atender às exigências do Plano Nacional de Educação para que os educadores tenham no mínimo a licenciatura, o diploma que os habilita para a profissão. Evidentemente, a formação não é compatível com as exigências da educação que se pretende hoje. As competências que elas detêm são poucas.



Quais os caminhos para o aprimoramento do magistério?

Os incentivos à formação do professor dependem de uma série de atores. A educação pública está assentada primeiro nos sistemas municipais. São eles que contratam praticamente todos os professores da Educação Infantil e grande parte dos docentes do Ensino Fundamental. São eles ainda que remuneram, incentivam e são responsáveis pelos projetos de capacitação. Há também os sistemas estaduais com funções semelhantes, principalmente com relação às séries finais do Ensino Fundamental e ao Ensino Médio. E especificamente nessa última etapa da Educação Básica, há um enorme contingente de professores leigos - especialmente na área das ciências, porque não existem profissionais formados em número suficiente. É necessário um esforço enorme para capacitar esses professores.



Existe uma política da escola particular visando o aprimoramento de seus docentes?

Na rede privada, a questão da formação docente é menor do que nas redes públicas porque a instituição, por meio dos salários, consegue escolher um pessoal mais qualificado. O grande problema da maioria dos professores não é o domínio do conteúdo de sua matéria e sim um conhecimento de mundo. Aqueles que têm acesso a recursos tecnológicos, curiosidade e domínio da ciência e da leitura passam isso para seus alunos com paixão. Na medida em que se começa a refletir com os educadores sobre ações pedagógicas, definição de projetos interdisciplinares ou pluridisciplinares, o trabalho - viagens, experiências de laboratório, estudo do meio etc. - acaba dando resultados. Para isso, a escola particular está mais aparelhada.



O que se espera hoje de um educador?

Não idealizamos alguém que ensine um conteúdo pronto e acabado, mas que conduza o processo de aprendizagem frente a todos os avanços e desafios que o mundo está oferecendo. Nesse momento, pretende-se redefinir o modelo de formação docente. E isso foi feito. No Conselho Nacional de Educação, eu e a professora Guiomar Namo de Mello nos alinhamos com os que defendem um modelo de formação inicial de três anos, profissionalizante e voltado para a prática, mas que se completa com um projeto de educação continuada. Para que a formação profissional não se esgote nos três ou quatro primeiros anos, é preciso criar mecanismos que assegurem a busca pelas competências exigidas no trabalho. Não só capacitação em metodologia, mas também em conteúdo, em práticas de leitura, em hábitos culturais e de postura, em uso de recursos tecnológicos. Com isso, podemos dotar o Brasil de um sistema educacional que promova maior igualdade de oportunidades e possibilite maior acesso da sociedade ao que chamamos hoje de cidadania.



Existe concorrência entre a escola particular e a pública?

A maioria dos gestores de escolas privadas não enxerga competição entre escola pública e particular. Eles não querem receber alunos só porque não conseguiram vaga nas escolas estaduais ou municipais. Era o que acontecia há 30 ou mesmo há 80 anos, quando a instituição que dirijo surgiu para atender estudantes excluídos da rede pública.



Qual a missão da rede particular atualmente?

A principal missão da escola privada é a de, efetivamente, oferecer a melhor educação - sem apelo de marketing de dizer que está formando "o melhor aluno". O educador que atua junto aos jovens de classe média e média alta tem de fazer deles cidadãos responsáveis. Acho que as instituições privadas estão passando por um processo de depuração, e as que não mostrarem um bom desempenho, tanto no ensino quanto em responsabilidade social, podem falir. E os pais estão cobrando esses resultados.



Qual o tipo de convivência ideal entre a escola particular e a pública?

Talvez um pouco inspirado na minha trajetória pessoal e na de minha família de educadores, sempre entendi que não é possível alguém trabalhar com a escola particular sem enxergar o universo da coisa pública, que é a dimensão quantitativa da educação brasileira. Minha paixão é pela questão da educação como um todo e não vejo nenhum problema em trabalhar com os mesmos conceitos no âmbito público e privado.



Como as leis educacionais brasileiras tratam a rede pública e a privada?

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) é extremamente aberta e trata ambas com igualdade. Dá às duas ampla liberdade para definir seus projetos pedagógicos. Já entre os sistemas estaduais de ensino, que são os responsáveis pela supervisão das escolas privadas, há alguns mais abertos. Nos estados que possuem sistemas mais liberais surgem propostas extremamente interessantes, claras e diferenciadas.



De que maneira as experiências privadas bem-sucedidas podem ser aproveitadas pela rede pública?

Existem escolas públicas de altíssimo nível onde acontecem experiências riquíssimas. O que dificulta a ação da escola pública, que também tem docentes altamente qualificados, é a alta rotatividade do pessoal. O professor é da rede e não de uma unidade escolar. Quando se consegue montar um corpo docente eficiente, chega o fim do ano, metade dos professores são removidos e tem-se que começar tudo de novo. Já na rede particular não existe a mesma rotatividade, porque sem um corpo docente estável não há definição do projeto pedagógico. Nas escolas municipais do interior, por exemplo, onde o corpo docente da Educação Infantil e o do Ensino Fundamental são mais estáveis, há ótimos modelos de ensino público. E se também conseguirmos que o gestor da escola pública seja o responsável direto pelo sucesso da equipe encarregada do projeto de trabalho, como ocorre nas empresas, a melhora da escola básica virá mais depressa.



Na contramão do espírito de colaboração, muitas escolas incentivam a competição, visando maior sucesso de seus alunos no mercado de trabalho.



É verdade também que as empresas valorizam cada vez mais os projetos de cidadania dos seus talentos. Ora, esse tipo de trabalho tem de ser estimulado e cultivado pela escola de Educação Básica. Durante a vida escolar, o companheirismo, a solidariedade, o ser feliz e participante são tão importantes quanto disputar no mercado de trabalho e ganhar. É notório que os laços de amizade que unem ex-alunos de uma mesma escola se mantêm, às vezes se eternizam. Não acho que esse modelo de competição a qualquer hora e a qualquer preço vá vingar.



Qual o papel da escola particular na melhoria do ensino básico?

Servir de paradigma, de modelo. Estamos num momento histórico diferente daquele que já foi o mais propício para a escola privada. Portanto, ela tem de definir bem os seus projetos, tem que ter uma proposta pedagógica muito consistente e um trabalho muito eficiente para poder sobreviver. Mas o espaço para ela continua existindo.



Arthur Fonseca Filho



Membro da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), Arthur Fonseca Filho é licenciado em pedagogia e bacharel em direito. Especialista em legislação educacional, é diretor do Colégio Uirapuru e das Faculdades Uirapuru de Sorocaba (SP), cidade onde exerceu na década de 1990 o cargo de secretário municipal de educação. Entre 2000 e 2001, foi presidente do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, que integrou durante dez anos.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Reflexão sobre o ato de educar...

Durante esta semana eu e uma colega estamos fazendo estágio com Educação Infantil,como sempre pesquisamos em sites,blogs e em teóricos para trazer os mais variados assuntos e atividades referentes à fase em questão.

Bem ao fazermos nossa fundamentação e baseadas em autores renomados e especialistas no assunto,como Freneit,Madalena Freire,observamos que todos afirmam que ao  trabalhar com crianças devemos ter o cuidado de trabalhar com a sua realidade,valorizando sempre  as suas experiências e vivências ,e assim através da prática educativa a criança vai construindo seu conhecimento.
Segundo Madalena Freire em seu livro"A paixão de conhecer o mundo" nos relata e afirma que:...se a prática educativa tem a criança como um dos seus sujeitos,construindo seu processo de conhecimento,não há dicotomia entre cognitivo e o afetivo,e sim uma relação dinâmica,prazerosa de conhecer o mundo...quando se tira da criança a possibilidade de conhecer este ou aquele aspecto da realidade, na verdade se está alienando-se da sua capacidade de construir seu conhecimento."

E dentro desse contexto muitas dúvidas nos surgiram,a realidade em sala de aula é outra,ou seja,muitas vezes a prática não anda junto com a teoria.

A pergunta é quem é o responsável por esse paradigma da educação?

O professor com falta de formação?
A escola que não  dá suporte aos educadores, não promovendo atividades que visem a aprendizagem?  
Falta de capacitação dos gestores?
Ou pior ainda a falta de comunicação entre a tríade pedagógica e os professores?

Não basta aos educadores fazer pós,mestrados e doutorados, se não souberem aplicar esses conhecimentos no cotidiano  escolar.

O que nos faz sermos melhores é a prática,é o chão da escola que nos faz aprender a ter realidade da realidade que nos cerca.

Afinal,a educação libertadora que prentendemos é realidade ou utópica?

Deixo uma citação de Libâneo para refletirmos sobre a nossa práxis educativa.

[...] a educação é uma atividade onde professores e alunos midiatizados pela realidade que aprendem e da qual extraem o conteúdo da aprendiazgem,atingem um nível de consciência dessa mesma realidade,a fim de nela atuarem,num sentido de transformação social[...].(libâneo,1996,p.33).


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Educação libertadora...

EDUCAÇÃO LIBERTADORA: UTOPIA OU REALIDADE



RESUMO




O presente trabalho conceitua Educação Libertadora, bem como, visa nos mostrar a educação na visão de Paulo Freire, seu mentor e idealizador. Para ele a educação deve realizar-se como prática da liberdade. Os caminhos da libertação só estabelecem sujeitos livres e a prática da liberdade só pode se concretizar numa pedagogia em que o oprimido tenha condições de descobrir-se e conquistar-se como sujeito de sua própria destinação histórica. Tento a realidade como mediador e objeto de aprendizado, a tendência libertadora funciona como abertura para uma sociedade democrática, preocupando-se também com o que está fora da escola em busca da emancipação do homem.






Palavras-chave: Educação; Libertação; Teoria e Prática.




1 INTRODUÇÃO


[...] a educação é uma atividade onde professores e alunos midiatizados pela realidade que apreendem e da qual extraem o conteúdo da aprendizagem, atingem um nível de consciência dessa mesma realidade, a fim de nela atuarem, num sentido de transformação social [...] (Libânio, 1996, p.33).




A citação de Libâneo está relacionada à tendência libertadora da Pedagogia Progressista iniciada por Paulo Freire no início dos anos 60. Enquanto a Pedagogia Liberal propõe uma adaptação do indivíduo à sociedade de classes, a Pedagogia Progressista pressupõe a análise crítica do capitalismo.




Também conhecida como Pedagogia de Paulo Freire, a tendência libertadora nasce em oposição aos métodos da época que não eram capazes ou não se preocupavam prioritariamente em formar cidadãos. Relacionando à citação de Libâneo, vê-se que, para Paulo Freire, cidadão é o indivíduo capaz de, na relação com a realidade, atuar num sentido de transformação social.


Também conhecida como “Escola Libertadora”, vincula a educação à luta e à organização da classe do oprimido. Revolucionária, divulga a transformação da sociedade e acreditava que a educação, por si só, não faria tal revolução, embora fosse uma ferramenta importante e fundamental nesse processo.


Sendo assim, o objetivo deste trabalho é compreender o que significa Pedagogia Progressista Libertadora, sob a ótica de Paulo Freire, bem como sua prática e teoria dentro do contexto educativo.




2 CONCEITO DE TEORIA E PRÁTICA


Na compreensão de Freire teoria é um princípio de inserção do homem na realidade como ser que existe nela, e existindo promove a sua própria concepção da vida social e política. Para confirmar esta opinião, vale à pena reler o texto.


De teoria, na verdade, precisamos nós. De teoria que implica uma inserção na realidade, num contato analítico com o existente, para comprová-lo, para vivê-lo e vivê-lo plenamente, praticamente. Neste sentido é que teorizar é contemplar. Não no sentido distorcido que lhe damos, de oposição à realidade [...] (Freire, 1979, p.93).


Com efeito, ao enfatizar o caráter contemplativo da teoria, Paulo Freire garante a inserção do homem na realidade. Ele deixa claro que teoria é sempre a reflexão que se faz do contexto concreto, isto é, deve-se partir sempre de experiências do homem com a realidade na qual está inserido, cumprindo também a função de analisar e refletir essa realidade, no sentido de apropriar-se de um caráter crítico sobre ela. Esse caráter de transformação tem uma razão de ser, pois provém antes de tudo, da sua vivência pessoal e íntima numa realidade contrastante e opressora, influenciando fortemente todas as suas idéias.


Compreende-se então, que teoria para Freire não será identificada se não houver um caráter transformador, pois só assim estará cumprindo sua função de reflexão sobre a realidade concreta.


A definição de prática em Paulo Freire está baseada inicialmente na relação entre "consciência servil" e "consciência do senhor”.




A prática não pode ater-se à leitura descontextualizada do mundo, ao contrário, vincula o homem nessa busca consciente de ser, estar e agir no mundo num processo que se faz único e dinâmico, melhor dizendo, é apropriar-se da prática dando sentido à teoria. Sobre essa conceituação assim se expressa Freire (1983, p.40). "[...] a práxis, porém, é ação e reflexão dos homens sobre o mundo para transformá-lo". Portanto, a função da prática é a de agir sobre o mundo para transformá-lo.




A relação entre teoria e prática centra-se na articulação dialética entre ambas, o que não significa necessariamente uma identidade entre elas. Significa assim, uma relação que se dá na contradição, ou seja, expressa um movimento de interdependência em que uma não existe sem a outra. Assim, cada coisa exige a existência do seu contrário, como determinação e negação do outro; na superação, onde os contrários em luta e movimento buscam a superação da contradição, superando-se a si próprios. Portanto, relação teoria e prática em Freire, não são apenas palavras, é reflexão teórica, pressuposto e princípio que busca uma postura, uma atitude do homem face ao homem e do homem face à realidade.




3. EDUCAÇÂO PROBLEMATIZADORA X EDUCAÇÂO BANCÁRIA


Freire não se limitou a analisar como são a educação e a pedagogia, mas mostra uma teoria de como elas devem ser compreendidas teoricamente e como se deve agir através de uma educação denominada Libertadora. Para ele, educação é um encontro entre interlocutores, que procuram no ato de conhecer a significação da realidade e na práxis o poder da transformação.


Entende-se por pedagogia em Freire, a ação que pode e deve ser muito mais que um processo de treinamento ou domesticação; um processo que nasce da observação e da reflexão e culmina na ação transformadora.


Em oposição à pedagogia do diálogo, Paulo Freire desnuda a concepção bancária de educação; é uma crítica à educação que existe no sistema capitalista. Nessa concepção:


O educador é o que educa; os educandos, os que são educados; o educador é o que sabe; os educandos, os que não sabem; o educador é o que pensa; os educandos, os pensados; o educador é o que diz a palavra; os educandos, os que a escutam docilmente; o educador é o quedisciplina; os educandos, os disciplinados; o educador é o que opta e prescreve sua opção; os educandos os que seguem a prescrição; o educador é o que atua; os educandos, os que têm a ilusão de que atuam; o educador escolhe o conteúdo programático; os educandos se acomodam a ele; o educador identifica a autoridade do saber com sua autoridade funcional, que opõe antagonicamente à liberdade dos educandos; estes devem adaptar-se às determinações daquele; o educador, finalmente, é o sujeito do processo; os educandos, meros objetos (Freire, 1983, p.68).


Este desnudamento serve de premissa para visualizar o poder do educador sobre o educando e como conseqüência à possibilidade de formar sujeitos ativos, críticos e não domesticados. A Educação Bancária se alicerça nos princípios de dominação, de domesticação e alienação transferidas do educador para o aluno através do conhecimento dado, imposto, alienado.




De fato, nessa concepção, o conhecimento é algo que, por ser imposto, passa a ser absorvido passivamente.


Na visão "bancária" da educação, o "saber" é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber. Doação que se funda numa das manifestações instrumentais da ideologia da opressão - a absolutização da ignorância, que constitui o que chamamos de alienação da ignorância, segundo a qual esta se encontra sempre no outro (Freire, 1983).


Como se vê, a opressão é o cerne da concepção bancária. Para analisar esta concepção que se fundamenta no antidiálogo, Freire (1983) apresenta características que servem à opressão. São elas: a conquista, a divisão, a manipulação e a invasão cultural.


Um dos principais eixos da educação libertadora proposta por Freire é o combate acirrado à dominação e opressão dos “de baixo”. Esses podem ser entendidos como os excluídos da sociedade capitalista, os “demitidos da vida”, os “esfarrapados do mundo”. Sua obra acredita na intenção de mudança, presente em cada ser humano, na conscientização dos “de baixo” que são, a todo instante, explorados pelos “de cima.”


O comprometimento com a transformação social é a premissa da educação libertadora.




[...] a educação é uma atividade onde professores e alunos [...] atingem um nível de consciência [...] [da realidade], a fim de [...] atuarem, num sentido de transformação social. Libâneo (1996, p.33)


Ao contrário da educação libertadora, a concepção bancária de educação não exige a consciência crítica do educador e do educando, assim como o conhecimento não desvela os "porquês" do que se pretende saber. Eis porque a educação bancária oprime, negando a dialogicidade nas relações entre os sujeitos e a realidade.


Paulo Freire propõe uma nova concepção da relação pedagógica. Não se trata de conceber a educação apenas como transmissão de conteúdos por parte do educador. Pelo contrário, trata-se de estabelecer um diálogo, isso significa que aquele que se educa, isto é, está aprendendo também.


A pedagogia tradicional (educação bancária) também afirmava isso, só que em Paulo Freire o educador também aprende do educando da mesma maneira que este aprende dele. Não há ninguém que possa ser considerado definitivamente educado ou definitivamente formado. Cada um, a seu modo, junto com os outros, pode aprender e descobrir novas dimensões e possibilidades da realidade na vida. A educação torna-se um processo de formação mútua e permanente.




4 CONCLUSÃO


O modelo de educação proposto por Paulo Freire se diferencia da educação tradicional, pois abomina dentre outras coisas a dependência dominadora, que inclui dentre outras a relação de dominação do educador sobre o educando.


O objetivo e o direcionamento da pedagogia de Paulo Freire, como explicitado por Libâneo, é atingir um nível de consciência da realidade. Mas é importante observar que este direcionamento não perde de vista as diferenças entre homens e crianças, como relata o Paulo Freire (1989, p.53) falando de sua experiência de leitura do mundo:


Mas, é importante dizer, a “leitura” do meu mundo, que me foi sempre fundamental, não fez de mim um menino antecipado em homem, um racionalista de calças curtas. A curiosidade do menino não iria distorcer-se pelo simples fato de ser exercida, no que fui mais ajudado do que desajudado por meus pais.


Desta forma, Paulo Freire opõe-se à Pedagogia Tradicional uma vez que ele não considera a criança como um adulto em miniatura, mas como ser portador de suas próprias especificidades.


A pedagogia de Paulo Freire propõe um ensino na base do diálogo, a liberdade e ao exercício de busca ao conhecimento participativo e transformador. Uma educação que esteja disposta a considerar o ser humano como sujeito de sua própria aprendizagem e não como mero objeto sem respostas e saber. Sua vivência, sua realidade e essencialmente sua forma de enxergar e ler o mundo precisam ser considerados para que esta aprendizagem se realize.


Através da prática Paulo Freire construiu sua teoria, por meio da ação construiu a esperança, através da militância, espalhou conhecimentos. Esses elementos demonstram a sua contribuição inegável para a educação brasileira. Contribuição que na maioria das vezes, deixou de merecer o devido reconhecimento de seu próprio país, apesar de reconhecida no restante do mundo.


Ao finalizar este trabalho, ficou-me claro que a pedagogia de Paulo Freire, era baseada na libertação do homem por meio da educação. Uma pedagogia que valorizava o sujeito e sua cultura, e que deveria se constituir em instrumento de autonomia do homem, e acima de tudo, uma pedagogia de respeito e ética ao ser humano.




5 REFERÊNCIAS


LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1996.


FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 17. ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra,1979.


______. Pedagogia do Oprimido. 13. ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra,1983.


. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1989